Se ainda estiver aqui

 

Questiono teus passos sempre que posso, e perpetuamente o farei se ainda a amar, porque a esperança só existe enquanto as vezes vejo e sinto seus olhares em mim. Se dissipado o sentir, que sentido teria? Estaria ante a ganancia de permanecer a merce de ventos e paixões sem rumo. Quando os seus passos forem, como dissestes, estaria tão perto de se perder também, que daqui viria sem pensar. Ah, que engano o meu, que vacilar repentino sem sentir.

Volumosas listas de desejos contaram que o coração de minha amada não era meu, mas o tempo dissolve qualquer comoção inopinada, nula e carente de norte. Pois se direcionasse sentido, se fosse capaz de dar brasas, se fizesse e operasse, se inventasse apego, não hesitaria. Se convicto me enganar outra vez, resiliencia gritaria o velho ser, paciência pediria outra vez, e de novo clamaria a se enganar. Não apago o passado onde me alegrei, não em mim, mas nela. Se sou louco de implorar o autoengano, então estou certo de que nunca sentiu o que senti. Se ainda estiver aqui, se não fores a mesma, me alegraria em um novo ser que também conhece o amor.

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